Desencontro jornalístico

Assessorias de imprensa e redações parecem não falar a mesma língua, mas por quê?

Mas do que dizer o que é certo ou errado, vivemos de nossas próprias conclusões pelo que acreditamos e vemos no decorrer de nossas vidas. Qualquer coisa que for escrita aqui tem base na minha vivência profissional e no meu ponto de vista, o qual julgo importante por, além de já ter vivido por muitos anos os dois lados do balcão, me encontro em um momento no qual jogo nos dois times: assessoria de imprensa e redação.

Uma das reclamações mais comuns por parte dos assessores de imprensa é a inviabilidade de um FUP positivo já que, em boa parte, os profissinais nas redações ou não atendem os telefones, ou atendem pouco. De modo geral, o trabalho das AIs fica prejudicado.

No entanto, no lado das redações há reclamações da insitência descabida e do desrespeito dos assessores, o que também atrapalha nossos colegas das redações.

No final das contas, o prejuízo é para todos e para o jornalismo. Vejo que há falta de empatia, de ambos os lados, assim como há razão nos dois os lados. Há assessores que querem vender uma pauta a qualquer custo, sem nenhuma estratégia pensada, em especial, para auxiliar as redações em conteúdos importantes e produtivos. E há jornalistas de redação que simplesmente desprezam o trabalho dos assessores, mas não é a maioria.

Acredito que uma mudança de postura ajudará na construção de uma nova e mais contribuitiva relação entre profissionais (em sua maioria) da mesma área, que precisam caminhar juntos. Ambos os lados tem o que o outro lado precisa, bem como o dia de amanhã é incerto e, dentro disto, a única certeza que temos é poder contar uns com os outros.

Assessorias de imprensa precisam rever alguns conceitos de atuação e entender que nós assessores sugerimos pautas e não a produzimos, logo devemos ter gancho para um tema ligado à politica editorial dos veículos do mailing trabalhado. Porém, mais do que isso, bons resultados são acompanhados de bons relacionamentos. Ligar para o jornalista da redação e vender sua sugestão de pauta já não é mais um caminho confortável. É como se o colega da redação se sentisse usado, como se fosse uma relação amorosa entre duas pessoas. Estar presente no cotidiano dos profissionais das redações é o melhor dos mundos pois, além do approuch necessário, ganha-se novos amigos, novos conhecimentos e novas experiências.